Capítulo 7 Manejo das Arboviroses

Arboviroses são doenças causadas por vírus (arbovírus) e transmitidas por artrópodes (mosquitos, carrapatos etc.)

Caso suspeito de Dengue: pessoa que viva ou tenha viajado nos últimos 14 dias para área onde esteja ocorrendo transmissão de dengue ou tenha presença de Aedes aegypti que apresente febre, usualmente entre 2 e 7 dias, e apresente duas ou mais das seguintes manifestações: náuseas, vômitos, exantema, mialgias, cefaléia, dor retroorbital, petéquias ou prova do laço positiva e leucopenia.

Caso suspeito de Chikungunya: febre de início súbito e artralgia ou artrite intensa com inicio agudo, não explicado por outras condições, que resida ou tenha viajado para áreas endêmicas ou epidêmicas até 14 dias antes do início dos sintomas, ou que tenha vínculo epidemiológico com um caso importado confirmado.

Caso Suspeito de Zika vírus (ZIKV): Paciente com exantema maculopapular acompanhado de pelo menos dois dos seguintes sinais ou sintomas: febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção, artralgia (dores em articulações), dores musculares eedema periarticular

SÍNDROME CONGÊNITA ASSOCIADA À INFECÇÃO PELO VÍRUS ZIKA A síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika (SCZ) compreende um conjunto de sinais e sintomas apresentados por conceptos que foram expostos à infecção pelo vírus Zika (ZIKV) durante a gestação, podendo comprometer o crescimento e o desenvolvimento neurocognitivo, motor, sensorial e odontológico, e levar a incapacidades ou à morte. Diante da suspeita de exposição ao vírus Zika na gestação, comunicar imediatamente o SCIH local para que sejam feitas as demais orientações.

Principais achados clínicos e de imagem para a síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika durante o pré-natal:

• Microencefalia/microcefalia

• Alterações de fossa posterior: dismorfismo de vermis cerebelar

• Ventriculomegalia. • Hidrocefalia.

• Calci!cações cerebrais disseminadas.

• Disgenesia de corpo caloso.

• Esquizencefalia/porencefalia.

• Hipoplasia do córtex.

• Lisencefalia.

Pacientes que apresentem características clínicas que se encaixem nas definições de caso suspeito acima deverão ser notificados imediatamente ao SCIH, por meio de ficha SINAN (disponível em pasta pública) preenchida na unidade de origem por médico ou enfermeiro.

As arboviroses são doenças de notificação compulsória, conforme estabelecido na Portaria nº 1.061 de 18 de maio de 2020.

Solicitar ao escriturário auxilio no preenchimento de dados de identificação, orientar solicitação de acompanhamento da Infectologia por Interconsulta em caso de dúvidas no manejo clínico das síndromes graves.

É essencial que a notificação esteja preenchida corretamente com todos os dados do caso suspeito, isso permite que as ações ambientais possam ser desencadeadas oportunamente

Febre Amarela, óbitos por Dengue, Chikungunya e Zika Vírus devem ter notificadas imediatas (em 24 horas) ao Serviço de Vigilância Epidemiológica Municipal, à Regional de Saúde e ao Setor de Antropozoonoses/Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS).

7.1 Diagnóstico

A relação de testes a serem solicitados vai depender da fase da doença em que o paciente se encontra e disponibilidade nos laboratórios de referência (consultar SCIH).

1º ao 5º dia Dengue: Antígeno NS1 (Não está mais recomendado em nível de saúde pública) Casos graves internados, solicitar RT-PCR Sangue, comunicar o SCIH para envio da amostra para Instituto Adolpho Lutz.

Chikungunya: RNA PCR sangue. (casos internados)

Zika vírus: RNA PCR no sangue (casos internados)

6º ao 10º dia Dengue: Anticorpos IgG e IgM2

Chikungunya: RNA PCR, Anticorpos IgG e IgM

Zika: RNA PCR na URINA e SANGUE + Anticorpos IgG e IgM •

Após o 10º dia Dengue: Anticorpos IgG e IgM

Chickungunya: Anticorpos IgG e IgM

Zika: Anticorpos IgG e IgM

7.2 Sinais de Alarme

(indicar internação hospitalar /reavaliação precoce)

• Dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua. • Vômitos persistentes. • Acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico). • Hipotensão postural e/ou lipotímia. • Letargia e/ou irritabilidade. • Hepatomegalia maior do que 2 cm abaixo do rebordo costal. • Sangramento de mucosa. • Aumento progressivo do hematócrito.

7.3 Sinais de choque:

indicar monitorização / UTI

• Pulso rápido e fraco. • Hipotensão arterial. • Pressão arterial (PA) convergente (diferença entre PAS e PAD ≤20 mmHg em crianças – em adultos, o mesmo valor indica choque mais grave). • Extremidades frias. • Enchimento capilar lento. • Pele úmida e pegajosa. • Oligúria. • Manifestações neurológicas, como agitação, convulsões e irritabilidade (em alguns pacientes).

Deve-se manter avaliação clínica contínua de todos os pacientes hospitalizados, registrando-se sinais vitais, diurese, controle hídrico, assim como os sinais de alarme. O estadiamento do paciente em relação ao quadro apresentado determina as decisões clínicas, laboratoriais, de hospitalização e terapêuticas, pois o paciente pode, durante a evolução da doença, passar de um grupo a outro em curto período de tempo.

Para demais orientações específicas conforme grupos de risco, consultar manual atualizado de manejo da Dengue atualizado pelo Ministério da Saúde em 2024:

Manual Dengue MS, 2024

Referências

• Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Doenças Transmissíveis. Dengue : diagnóstico e manejo clínico: adulto e criança – 6. ed. [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Departamento de Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2024.

·         http://www.cdc.gov/chikungunya/ - Acesso em 06/11/2014.

·         SÃO PAULO. CVE. Divisão Zoonose. INFORME TÉCNICO CVE: CHIKUNGUNYA 10 de junho de 2014.