Capítulo 13 Monkeypox
13.1 Definição de caso
Importante: Todo caso suspeito deve ser comunicado ao SCIH através de ficha de notificação e/ou Ramal 1517.
Caso suspeito:
Indivíduo de qualquer idade que, a partir de 15 de março de 2022, apresente:
Início súbito de erupção cutânea em qualquer parte do corpo (incluindo região genital)
Adenomegalia / linfadenopatia
Febre
E
Histórico de contato íntimo com desconhecido/a(s) e/ou parceiro/a(s) casual(is), nos últimos 21dias que antecederam o início dos sinais e sintomas OU Ter vínculo epidemiológico com casos suspeitos, prováveis ou confirmados de MPX, desde 15
de março de 2022, nos 21 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas;
OU Histórico de viagem a país endêmico ou países com casos confirmados de MPX nos 21 dias
anteriores ao início dos sintomas
OU
Ter vínculo epidemiológico* com pessoas com histórico de viagem a país endêmico ou país
com casos confirmados de MPX, desde 15 de março de 2022, nos 21 dias anteriores ao início
dos sinais e sintomas
*Contato íntimo e pessoal, incluindo contato sexual, mesmo com uso de preservativo; ou contato com materiais contaminados, como roupas ou roupas de cama e exposição próxima e prolongada sem proteção respiratória.
Caso confirmado: Indivíduo que atende à definição de caso suspeito com resultado/laudo de
exame laboratorial “Positivo/Detectável” para MPX por diagnóstico molecular (PCR em Tempo
Real e/ou Sequenciamento).
O rastreamento de contatos deve ser iniciado assim que houver a suspeita de um caso
Para visualizar as imagens das lesões cutâneas, clique no link abaixo:
13.2 Prevenção da Infecção
Profissionais de saúde em atendimento de casos suspeitos ou confirmados de MPX devem implementar precauções padrão, de contato e de gotículas, o que inclui uso de proteção ocular, máscara cirúrgica, avental e luvas descartáveis. Durante a execução de procedimentos que geram aerossóis, os profissionais de saúde devem adotar máscara N95 ou equivalente. O isolamento e as precauções adicionais baseadas na transmissão devem continuar até resolução da erupção vesicular.
13.3 Cuidados com Gestantes / RN exposto
Os desfechos da infecção pelo vírus da varíola, que é do mesmo grupo (ortopoxvírus) do MPXV, associavam-se ao aumento na morbidade e mortalidade materna e perinatal, com riscos maiores de abortamento espontâneo, morte fetal e parto pré-termo. No entanto, na maioria das vezes, só há indicação de uso de tratamento sintomático para febre e dor, como o uso de Dipirona e Paracetamol, evitando-se o ácido acetilsalicílico
Em gestantes em que há suspeita de exposição ao MPX, sem quadro clínico, deve-se testar com qPCR para MPX em swab orofaríngeo. Deve-se considerar teste em sangue, urina ou fluido vaginal. Em gestante assintomática pós-exposição:
MPX negativo – suspende monitoração.
MPX positivo – isolamento domiciliar por 21 dias, sem visitas. Orientar automonitoração (temperatura e lesões cutâneas). Importante monitoramento por teleatendimento pela equipe de saúde.
Em gestante com sinais ou sintomas suspeitos de MPX:
MPX negativo – isolamento domiciliar por 21 dias, sem visitas. Orientar a automonitoração (temperatura e lesões cutâneas), descartar outras causas potenciais. Retestar se os sintomas forem persistentes. MPX positivo – Levando em consideração maior risco, indica-se hospitalização nos casos moderados, graves e críticos.
Escore de gravidade preconizado pela OMS: Leve (< 25 lesões de pele); Moderada (25-99 lesões de pele); Grave (100-250 lesões de pele); Crítico (> 250 lesões de pele).
AMAMENTAÇÃO E CUIDADOS COM O RN EM MULHERES COM MPX
Desaconselhar o contato pele a pele entre a mãe e o RN. Fazer exame macroscópico do RN imediatamente após o nascimento; Quando disponível, colher swab de garganta e de eventuais lesões cutâneas do RN.
Informar à mulher sobre os riscos da infecção e da necessidade de manter mãe e filho em quartos separados durante a fase de isolamento materno; Se por qualquer motivo não for possível manter a mãe e o RN em quartos separados, precauções estritas devem ser seguidas durante o contato mãe-filho:
o RN deve estar totalmente vestido ou envolto por um cobertor. Após o contato, a roupa ou cobertor deve ser imediatamente substituídos;
a mãe deve usar luvas e avental, deixando coberta toda área de pele abaixo do pescoço; e
a mãe deve usar uma máscara cirúrgica bem ajustada à face. As precauções devem ser mantidas até que os critérios para encerrar o isolamento tenham sido alcançados: resolução de todas as lesões, queda das crostas e formação de uma nova camada de pele;
Quando a testagem do RN tiver sido realizada e o resultado for positivo, pode se cancelar o isolamento e permitir a permanência da mãe com o bebê. O momento da alta deve ser ajustado considerando o tempo de isolamento materno, a capacidade de aderir às recomendações para evitar o contágio do RN e a disponibilidade de pessoas para auxiliar no cuidado do recém-nascido.
13.4 Diagnóstico
O diagnóstico é realizado por detecção molecular do genoma por PCR pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL). Com relação ao cadastro no GAL, encontra-se liberada a pesquisa “Monkeypox vírus”.
No campo “agravo das informações clínicas” deverá ser cadastrado Varíola e no campo de metodologia: isolamento viral. A amostra deverá ser enviada ao IAL regional ou central. A ficha de notificação CeVeSP deve ser entregue junto com a amostra e a requisição do GAL.
COLETA DE FLUIDO DAS LESÕES (SWAB)
O ideal é a coleta na fase aguda ainda com pústulas vesiculares (amostra ideal). São indicados Swabs estéreis de nylon, poliester ou dacron.
Também pode-se puncionar com seringa o conteúdo da lesão, mas prefere-se o swab para evitar a manipulação de perfuro cortantes. Colocar o swab preferencialmente em tubo seco, SEM líquido preservante, uma vez que os poxvírus mantêm-se estáveis na ausência de qualquer meio preservante. Havendo lesões na cavidade bucal, pode-se recolher material das lesões com swab.
Atenção: Recomenda-se, preferencialmente, a coleta dos fluidos de lesões das vesículas. Comunicar o SCIH para realizar a coleta de amostras dos casos suspeitos.
13.5 Tratamento
Não existe tratamento específico para a infecção pelo MPX. O tratamento é sintomático e envolve a prevenção e tratamento de infecções bacterianas sintomáticas. Atualmente há uma vacina desenvolvida para o MPX (MVA-BN) que foi aprovada em 2019, mas ainda não está amplamente disponível. A Organização Mundial de Saúde está coordenando com o laboratório fabricante o melhor o acesso a esta vacina.